O comando do Ronda do Quarteirão complica mais a situação e apenas confirma o despreparo policial, à medida que se esforça para minimizar a responsabilidade da corporação e, por extensão, do governo do Estado na tragédia do garoto assassinado por um policial. O caso repercutiu em todo o País e a população não pode ser subestimada na interpretação e avaliação das responsabilidades pelo desastroso episódio.

O próprio pai do adolescente morto, mesmo no auge da sua dor, queixa-se do despreparo policial. Temeroso da não apuração concreta do caso, apelou para a vigilância da imprensa, para evitar que tamanha tragédia caia no esquecimento e na impunidade, como tantas outras. Ele sabe que se não fosse a imprensa, por exemplo, esse caso do filho da atriz da Globo, morto no Rio de Janeiro, não estaria mobilizando as autoridades como está. Não fosse a imprensa, o tarado assassino na menina Alanis, crime que abalou o Ceará, estaria naturalmente livre como estava antes, apesar de condenado.

Não se quer o massacre do policial que disparou contra o garoto e o pai numa abordagem incompetente. Não cabe ao comando preocupar em defendê-lo, em apresentá-lo só agora à opinião pública como policial padrão com apenas três anos de corporação, porque isso não pega. É inútil o esforço de arrancar a compaixão social a favor do policial, com informações pessoais como a da gravidez da mulher dele. O que se quer é que a PM, o governo do Estado como o agente constitucional da segurança pública, coloque nas ruas uma polícia preparada e qualificada para proteger a sociedade e não para aumentar-lhe o pânico e infelicitá-la.

O que se quer não é amaldiçoar a PM, como instituição, mas mostrar os equívocos do Estado ao priorizar o exterior, a pintura, o que mais aparece, o que pode render na propaganda, em detrimento do interior, que capacita e humaniza o profissional. As mulheres de policiais já estão denunciando essa inversão há muito tempo em manifestações nas ruas, diante da secretaria de Segurança Pública e do Palácio do Governo.

Esse crime estúpido do menino Bruce Cristian já vem sendo anunciado há vários meses através de denúncias sobre a opressão policial. Não adianta esconder o sol com a peneira, porque outras tragédias virão. O que se quer é a apuração e a solução.